Política
02/09/2026
A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) abriu espaço para discussões sobre uma possível saída de Alexandre de Moraes da Corte. A avaliação foi apresentada pela analista de política Clarissa Oliveira durante o Live CNN desta quarta-feira (2).
Segundo Clarissa, fontes do meio político defendem que Moraes tome a decisão de deixar o cargo. "Seria uma espécie de saída honrosa na avaliação desses articuladores", afirmou.
A possibilidade seria vista por esses setores como alternativa a um eventual processo de impeachment, que poderia levar o Congresso Nacional a uma nova crise em pleno ano eleitoral.
As declarações ocorrem após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) com mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Clarissa afirmou que conversou com políticos desde terça-feira (1º) e identificou uma pressão crescente em torno da permanência de Moraes. Segundo ela, há preocupação com o impacto das acusações sobre a imagem do Supremo.
A analista relatou ainda um entendimento entre integrantes de campanhas eleitorais, do Judiciário, juristas e advogados de que "a gravidade dessas acusações é muito grande".
"Ninguém está esperando que haja uma condenação antes da hora, mas o peso que isso tem sobre o próprio Supremo Tribunal Federal é grande na avaliação das fontes com quem conversei ontem", ressaltou Clarissa.
Para Clarissa, a crise ultrapassa os limites do STF e envolve também a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a própria Polícia Federal, incluindo seu diretor-geral, Andrei Rodrigues.
"São muitas as posições, muitas as instituições que estão ali permeadas por essa crise que tem como personagem principal Alexandre de Moraes", afirmou.
A decisão de Mendonça de retirar o sigilo do relatório também foi apontada pela analista como um fator para ampliar a pressão sobre Moraes e sobre o próprio Supremo.
"A publicidade que foi dada a essa crise, pelo histórico que a gente tem do Supremo, não era o desejo de muitos dos colegas do André Mendonça."
Segundo Clarissa, ao levar o conteúdo para o debate público, Mendonça aumentou a cobrança por transparência e seriedade na condução do caso.
Embora o Procurador-Geral da República tenha pedido a nulidade do relatório, a analista avaliou que "qualquer questão técnica não invalida a gravidade do que está ali".
"Se não tem uma saída jurídica para essa crise, precisa ter uma saída política", concluiu Clarissa.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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